Nasceu em 2014, da união de três participantes do Programa Jovem Monitor Cultural: Bruna Faustino, Jennifer Oliveira e Maria Isabela. Atuavam em bibliotecas em distintas regiões de São Paulo e perceberam a carência de livros com autoria de mulheres, dentro e fora do cânone, não havia uma representatividade, em números, que fosse satisfatória. Assim buscaram conhecer saraus feministas e se depararam com o Circular de Poesia Livre, grupo de mulheres que escreviam e declamavam poesia escrita por mulheres, de preferência de cunho feminista ou erótico. Inspiradas pela regra deste sarau: microfone aberto para todas e todos desde que a declamação seja de autoria feminina, criaram o Sarau das Mina, que circulou por várias Bibliotecas do Sistema Municipal de Cultura. Com o tempo mais duas participantes, Ary Ani Marciano e Luana Matsumoto, integraram o grupo que sentiu necessidade de mudar de nome para criar uma identidade que contemplasse a todas: Sarau Maria Sem Vergonha. Com batuques feitos de balde e colher de pau e um repertório de poesia contemporânea e de mulheres periféricas, o Sarau Maria Sem Vergonha expandiu sua atuação para além do Sistema Público de Bibliotecas participando de outros saraus com seus textos e levando a temática feminista, em eventos como Ocupa Pirituba, o Sarau Comungar, o EMIL – Encontro Mundial de Invenção Literária, entre outros. Criou-se também um Sarau fixo que acontece todo mês na Av. Mutinga, em Pirituba e a mudança de paradigma no qual a literatura não seria o foco essencial do sarau, convidamos artistas plásticas, cênicas e rappers mulheres para compor nossos encontros. Ainda no final do ano, próximo ao aniversário de um ano de existência do grupo surgiu o desejo de ser mais que um sarau. Assim, o Sarau Maria Sem Vergonha, se transformou em Coletiva (o uso do marcador linguístico de gênero “a” é utilizado como uma brincadeira para afirmar a posição feminista do coletivo). Surgiu a necessidade de trabalhar para além da visibilidade das artistas e incluir a formação e o acesso ao nosso repertório de trabalho. Para chegar a esse objetivo, oficinas garantiriam um contato mais íntimo com a arte e a troca de saberes entre mulheres, fomentando a produção, exposição e apreciação no espaço do sarau . O acesso à arte já é restrito a certas classes sociais mais privilegiadas, o recorte de gênero, cor e orientação sexual segrega ainda mais esse acesso. Atualmente a Coletiva Maria Sem Vergonha foi contemplada com o VAI I, pode comprar instrumentos e equipamentos que colaboram com sua existência. Segue com o projeto I Circuito Feminista de Artes, 9 meses circulando pelas periferias de São Paulo entre as praças e bibliotecas públicas promovendo oficinas, saraus e trocas artisticas entre mulheres.

Luana

Luana Matsumoto

Integrante da Coletiva Maria Sem Vergonha, filha de mãe solteira e empregada doméstica, cresci no bairro Pirituba na periferia noroeste da cidade de São Paulo. Ano passado tive a oportunidade de fazer um intercambio na Colômbia com uma bolsa da universidade, e foi um marco importante na minha vida enquanto mulher feminista por conhecer coletivos de mulheres, artistas, cantoras, compositoras, artesanas, escritoras e chefes de cozinha de uma América Latina que não tinha vínculo. Depois de um episódio machista no treino de atletismo, fui convidada a realizar um debate sobre Gênero e Esporte na universidade que estava fazendo intercambio. Esse ano voltei a Colômbia para trabalhar em uma área protegida na região amazônica e tive a felicidade de encontrar mulheres indígenas e camponesas que são exemplos de resistência e independência. Ainda que sejam poucas são sementes que com certeza trarão bons frutos na luta contra o patriarcado.

Jenifer

Jennifer Oliveira

Artista integrante da Coletiva Maria Sem Vergonha. Nasceu e cresceu no bairro Jd. Peri, na zona norte de São Paulo. Estuda teatro e circo. Pôde conhecer melhor o movimento de saraus periféricos quando morou e trabalhou em Pirituba, e logo se encantou. Acredita em um feminismo que tem como protagonistas as mulheres trabalhadoras e periféricas. Se sente muito inspirada pelo grupo de mulheres Mães de Maio. É apaixonada pelo livro Terra Fértil, da Jenyffer Nascimento. Fã do cinema Pernambucano.

Bruna

Bruna Faustino

Integrante da Coletiva Maria Sem Vergonha. Filha de nordestinos, tem sangue vindo direto do interior da Paraíba, apreço e orgulho de toda a arte produzida neste canto do país. Nascida e criada na periferia de Embu das artes, onde entrou em contato com a militância política e cultural. É sarauzera, batuquera e amante dos rolês da quebrada. Cursa Serviço Social na PUC-SP e pesquisa acerca da temática da violência doméstica de gênero no projeto “Cenas de Sangue no Lar”. Feminista, tem como inspiração para sua militância todas as manas de sua quebrada que emanam força e luta para o enfrentamento diário da sociedade patriarcal.

Ary

Aryani Marciano

Artista integrante da Coletiva Maria Sem Vergonha. Nascida e vivida no Morro Doce, periferia a noroeste de São Paulo. Descobriu-se como cantora e compositora no próprio sarau das minas (antigo nome da coletiva) mas na real cursa licenciatura em Artes Visuais na USP. Também é ilustradora, faz video-arte, gosta de escrever e as vezes junta nos lugares pra batucar e flautear. Tem um interesse especial sobre a identidade e representatividade da mulher negra, e assim integra também o Coletivo OPÁ Negra, na ECA – USP.

Isa

Maria Isabela

Artista integrante da Coletiva Maria Sem Vergonha. Cenógrafa, figurinista, aderecista, pesquisadora de teatro de animação e de backstage. Nasceu e cresceu em São Miguel Paulista, onde teve seu primeiro contato com teatro na Biblioteca Pública Raimundo de Menezes. Formada em Letras, pesquisou a imagem da mulher indígena na literatura e na pintura do romantismo brasileiro, tem como livros favoritos o Gravando, de Aline Rocha e o Livro das Semelhanças da Ana Martins Marques. Estudou teatro em diferentes instituições e trabalhou com diversos grupos, tendo como parceria favorita a dramaturga e diretora Heloísa Cardoso, juntas gostam de pensar a imagem da mulher em cena. Feminista, tem como inspiração para sua militância María Sanches, sua mãe e irmãs. Tem uma grande idéia fixa: baleias.